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Manifesto ao mundo que (re)nasce

Muitos foram os Estados que nasceram da vontade de liberdade de um povo. A experiência micro-social, espelho da vida macro-social e indivisivelmente contida nela, por vezes reproduziu o mesmo sonho em seus pensadores livres. Esses homens e mulheres iniciaram um trabalho de intensa pesquisa e criação intelectual de forma a moldar os conceitos que sustentariam seus projetos por toda a sua vida.

Mais de uma década depois da fundação do micronacionalismo lusófono, novamente a busca de alguns poucos dá inicio a um processo que culmina nessa declaração. Todo o tempo passado nos traz experiência e nossa idéia, que hoje nasce para o espaço concreto e real que construímos juntos, não busca ser nova apenas em idade, mas em filosofia.

A dicotomia "repúblicas x monarquias" nunca deixou as rodas dos pensadores micronacionais. É de conhecimento geral que há em ambas pontos positivos e negativos. Um meio termo é buscado em todo o micromundo, tentando abarcar em um único projeto o que há de positivo em ambas as formas de governo. Olhando para o passado, para o berço da civilização, encontramos algo que, transportado para a vivência micro-social, pode alcançar essa meta "micro-universal". Esparta tomava forma.

As cidades-estado da Grécia clássica são fascinantes pelo legado que ainda hoje norteiam a política em todo o mundo. Talvez confrontados com o mesmo dilema que hoje enfrentamos, Esparta consolidou uma cultura que tomava das outras cidades gregas a democracia e, simultaneamente, a tradição necessária criada pela monarquia. Na cidade-guerreira, duas famílias – Ágides e Euripontides - dividiam entre si os poderes reais. Governava a cidade o Conselho de Éforos, eleito pela assembléia de Gerúsia que, por sua vez, era eleita pela Apela, da qual faziam parte todos os cidadãos de Esparta.

A democracia aplicada diretamente sobre a polis evitava os choques de gestão e garantiram poder suficiente para que Esparta, após a Guerra do Poloponeso, dominasse toda a Grécia, subjugando, inclusive, a cidade de Atenas. A nova Esparta que nasce hoje não busca subjugar outras nações. Estaremos voltados para o estudo e para a concórdia. A guerra, traço tão característico da cultura espartana, estará presente na investida constante contra a ignorância e a intolerância que por vezes se apodera do cenário micronacional.

Da Grande Retra, a Constituição Espartana de Licurgo, tomaremos o que há de melhor e entregaremos ao povo espartano o único direito que jamais deveria ser rejeitado: a escolha. Ainda que possua reis, não haverá em Esparta um cargo que não seja eletivo. Na ágora espartana, todos serão iguais e as distinções serão referendadas pelo povo. O espaço para criação e desenvolvimento de projetos estará sujeito à vontade coletiva e não às paixões e desejos pessoais.

A partir de hoje, homens livres, pensadores da vida – a única que temos, sem divisões macro ou micro –, donos de coragem suficiente para ousar, debruçar-se-ão sobre um projeto de liberdade, de tradição, de pensamento. Com firmes bases em um manancial cultural sem igual, tentaremos unificar o comprometimento e a diversão e fazer jus ao estandarte que carregaremos. Em nossos Templos, casas do pensar, não de idolatria vazia, buscarmos em grupos conceitos para nos guiar nos percalços que sabemos que nos esperam. Humildes perante a experiência do outro e orgulhosos do projeto sólido que nos une, iremos além de nossas fronteiras oferecer nossa ajuda e buscar o apoio alheio.

Não exigiremos uma idolatria à pátria ou subserviência insana e vazia a quem quer que seja. Como o próprio panteão grego, nada será imutável. O compromisso do esparciata será algo pessoal e intransferível. Tal pacto nascerá sem pressão interna e, se vier a morrer, o respeito será nossa postura mais característica. Se entre nós houver grandes nomes, aqui estarão pela simpatia ao projeto, não aos seus líderes e, se em algum momento de nossa história houver apenas uma pessoa vivendo por Esparta, estaremos pobres, mas vivos. Por outro lado, quando os conceitos que nos guiam perecerem, mesmo que aqui tenhamos mil cidadãos, não seremos mais Esparta. Teremos sido vencidos.

E é com base na crença em uma experiência micro-social que misture todos os ricos conceitos que permeiam o micromundo de ontem e de hoje, na busca pela democracia e pelo renascimento de uma tradição que nos fez o que somos hoje, eu, Rodrigo Mariano, cidadão esparciata, declaro fundada a Diarquia Democrática de Esparta.

Que a egrégora jamais adormecida, vivente no nosso cotidiano, seja por nós elevada à glória. Que nossa voz possa ser escutada e que Atena, Ares, Zeus e todos os demais arquétipos dêiticos gregos vivam dentro de cada um e olhem por nós.

Rodrigo Mariano
Cidadão esparciata – Fundador

Bruno Queiroz

Henrique Murta-Ribeiro

Esparciatas Co-Fundadores